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O que é o PECS e como funciona no autismo?
O PECS (Picture Exchange Communication System, ou Sistema de Comunicação por Troca de Figuras) é o sistema de comunicação alternativa mais estudado e utilizado com crianças com autismo no mundo. Desenvolvido por Bondy e Frost em 1994, ele usa a troca de imagens como base para o desenvolvimento da comunicação funcional.
No PECS, a criança aprende a pegar um cartão com a imagem de um objeto ou ação que deseja e entregá-lo a um comunicador (adulto). Com o tempo, mais figuras são introduzidas, incluindo as que representam ações, sentimentos e características, permitindo que a criança forme frases e se expresse com crescente complexidade.
O PECS tem seis fases progressivas:
Fase 1: A criança aprende a entregar um cartão para obter algo que deseja imediatamente. Fase 2: A criança vai até o comunicador e entrega o cartão, ampliando a espontaneidade. Fase 3: A criança aprende a discriminar entre múltiplas imagens. Fase 4: A criança forma frases simples com cartões (“Eu quero + imagem”). Fase 5: A criança passa a responder à pergunta “O que você quer?” Fase 6: A criança começa a comentar e a descrever o ambiente espontaneamente.
A grande vantagem do PECS é que ele pode ser usado em casa, na escola e em outros contextos, não apenas durante a terapia. Ele promove a independência comunicativa e pode ser aplicado por pais e educadores com orientação adequada.
Pesquisa publicada no SciELO Brasil sobre comunicação alternativa no TEA confirma que estimulações com uso do PECS foram eficazes na promoção da comunicação funcional, aumentando tanto atos gestuais quanto vocais dos indivíduos e o número de trocas de figuras de forma independente. O estudo também registrou aumento da produção verbal como resultado da intervenção com CAA.
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O que é o TEACCH e como ele complementa a comunicação alternativa?
O TEACCH (Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children, ou Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Déficits Relacionados à Comunicação) é um programa desenvolvido na Universidade da Carolina do Norte (EUA) que se baseia em estímulos visuais para estruturar o ambiente de aprendizagem e a comunicação de pessoas com TEA.
Diferente do PECS, que é um sistema específico de troca de figuras para comunicação, o TEACCH é uma abordagem mais ampla que organiza o ambiente, a rotina e as atividades por meio de suportes visuais, tornando o mundo mais previsível e compreensível para a pessoa com autismo.
Na prática, o TEACCH usa:
- Organização visual do espaço (cada área tem uma função clara e identificada).
- Sequências visuais de atividades (o que vem primeiro, o que vem depois).
- Instruções visuais para tarefas (passo a passo com imagens ou pictogramas).
- Calendários e agendas visuais para estruturar a rotina.
O objetivo é avaliar as habilidades de autistas de forma padronizada, identificar as necessidades individuais de cada pessoa e permitir que aprendizados e desenvolvimentos aconteçam de forma mais tranquila, organizada e sem frustrações.
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Quais outros recursos de comunicação alternativa existem para autistas?
Além do PECS e do TEACCH, outros recursos de CAA no autismo são amplamente usados:
Pranchas de comunicação: conjuntos de imagens organizadas em temas (alimentos, atividades, emoções) que a criança usa para se expressar. Podem ser impressas ou digitais.
Aplicativos de comunicação alternativa: aplicativos como Livox, LetMe Talk e Grid Player transformam tablets e smartphones em dispositivos de comunicação com saída de voz. São especialmente úteis para crianças com habilidade motora preservada.
Dispositivos com saída de voz (SGD): equipamentos específicos que produzem fala sintetizada quando a criança seleciona imagens ou palavras.
Linguagem de sinais: sistemas de comunicação por gestos padronizados. No Brasil, a Libras é o sistema oficial para pessoas com surdez, mas variações adaptadas podem ser usadas com crianças com TEA.
Modelagem com recursos aumentativos (AMI): estratégia em que o comunicador parceiro usa ativamente os recursos de CAA durante a interação, modelando o uso dos símbolos para a criança. Pesquisa do SciELO Brasil sobre o uso combinado de PECS e AMI demonstrou aumento na frequência de iniciativas de interação da criança com autismo após a intervenção.
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Quem aplica a comunicação alternativa com crianças autistas?
A indicação e a implementação do sistema de comunicação alternativa são responsabilidade do fonoaudiólogo especializado em TEA. Ele avalia o perfil comunicativo da criança, escolhe o sistema mais adequado, estrutura o programa de intervenção e orienta a família e os educadores sobre como usar os recursos no cotidiano.
A participação da família é indispensável. O que é aprendido na terapia precisa ser praticado em casa, na escola e em todos os ambientes da criança para que a comunicação se generalize e se torne funcional na vida real.
Professores e auxiliares escolares também têm papel importante. A CAA é desconhecida por um número considerável de profissionais da educação, o que representa um desafio para a inclusão escolar plena de crianças com TEA não verbal.
Para entender como a comunicação alternativa se conecta com o processo de aprendizagem e inclusão escolar, veja nosso conteúdo sobre inclusão escolar da criança com autismo.
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Comunicação alternativa não verbal x fala: uma pode prejudicar a outra?
Essa é a dúvida mais frequente dos pais e a resposta é clara: não. A comunicação alternativa não inibe a fala.
Essa é uma preocupação comum mas desmistificada pela ciência. Estudos mostram que o uso de sistemas de CAA está associado ao aumento da produção vocal e verbal, não à sua redução. Crianças que desenvolvem comunicação funcional por meio de imagens frequentemente passam a vocalizar mais, porque a comunicação bem-sucedida é motivadora e reduz a frustração que bloqueia o desenvolvimento da fala.
O que acontece quando a criança não tem acesso a nenhuma forma de comunicação funcional é bem mais problemático: frustração acumulada, comportamentos desafiadores como forma de expressão e isolamento social crescente.
Para entender como a ecolalia, a repetição de palavras e frases, se relaciona com o desenvolvimento da linguagem em crianças com autismo, veja nosso conteúdo sobre o que é ecolalia e quais os tipos.
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Como a comunicação alternativa se integra ao tratamento multidisciplinar do autismo?
A CAA no autismo não é uma abordagem isolada. Ela funciona melhor quando integrada a um plano terapêutico que inclui fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e ABA.
A fonoaudiologia é a especialidade central, mas a terapia ocupacional contribui trabalhando as habilidades motoras necessárias para usar os recursos de CAA, como apontar, tocar uma tela ou virar cartões. A psicologia apoia a regulação emocional que permite à criança se engajar nas interações comunicativas. E a ABA fornece a estrutura de ensino sistemático e reforço positivo que acelera a aprendizagem dos sistemas.
Para entender como o papel do AT escolar se insere no uso da comunicação alternativa na escola e como ele apoia a criança com TEA não verbal no ambiente educacional, esse conteúdo detalha essa atuação.
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FAQ: perguntas frequentes sobre comunicação alternativa no autismo
O que é comunicação alternativa? Comunicação alternativa é o conjunto de recursos, estratégias e técnicas que substituem ou complementam a fala em pessoas com dificuldades de comunicação oral. Inclui imagens, pictogramas, pranchas, aplicativos digitais e sistemas estruturados como o PECS e o TEACCH. Cerca de 40% das crianças com TEA apresentam linguagem não verbal e podem se beneficiar da CAA.
O PECS inibe a fala da criança autista? Não. Pesquisas científicas mostram que o uso do PECS está associado ao aumento da produção vocal e verbal, e não à sua redução. A comunicação alternativa não substitui a fala: ela cria condições para que a comunicação funcional aconteça, o que frequentemente estimula o desenvolvimento da linguagem oral.
O que é o PECS para autismo? PECS (Picture Exchange Communication System) é um sistema de comunicação por troca de figuras, com seis fases progressivas que vão da troca simples de um cartão à formação de frases completas. É amplamente reconhecido como uma das abordagens de comunicação alternativa com maior base de evidências para crianças com TEA.
Qual a diferença entre PECS e TEACCH? O PECS é um sistema específico de comunicação por troca de imagens, com protocolo estruturado em seis fases. O TEACCH é uma abordagem mais ampla que organiza o ambiente, a rotina e as atividades por meio de suportes visuais, tornando o mundo mais previsível para a pessoa com autismo. Os dois podem ser usados de forma complementar.
Com que idade a criança deve começar a usar comunicação alternativa? Quanto mais cedo, melhor. Não existe idade mínima para iniciar a CAA. A indicação parte da avaliação fonoaudiológica e leva em conta o perfil comunicativo da criança. A intervenção precoce reduz a frustração, previne comportamentos desafiadores como forma de comunicação e abre o caminho para o desenvolvimento da linguagem.
A comunicação alternativa pode ser usada em casa? Sim. O PECS, em especial, pode e deve ser usado em casa, na escola e em todos os ambientes da criança. A generalização dos recursos de CAA para o cotidiano real é fundamental para que a comunicação se torne funcional. O fonoaudiólogo orienta a família sobre como usar cada recurso no dia a dia.
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A comunicação é um direito, não um privilégio
Toda criança tem o direito de se expressar. A comunicação alternativa é o que garante esse direito para as crianças com autismo que não encontram na fala oral o seu caminho principal de comunicação.
Com os recursos certos, a orientação adequada e o envolvimento da família, crianças com TEA não verbal desenvolvem formas funcionais e eficazes de se comunicar, reduzindo a frustração, ampliando a participação social e construindo autonomia.
No Próximo Degrau, as crianças com TEA não verbal recebem um programa de comunicação alternativa personalizado para as suas reais necessidades. Para entender como o diagnóstico do autismo orienta esse plano individualizado, esse conteúdo explica o caminho desde a identificação dos sinais até o início da intervenção. Entre em contato conosco e conheça mais sobre o nosso trabalho.