Se você chegou até aqui, provavelmente já se fez, ou ouviu alguém fazer, a pergunta que dói e, ao mesmo tempo, move: meu filho com paralisia cerebral não sustenta o tronco, tem tratamento?
Essa dúvida costuma surgir cedo, quando a criança apresenta dificuldade para manter a postura sentada, “desaba” para frente ou para os lados, ou depende totalmente de apoio para não cair.
O que muitas famílias descobrem aos poucos é que o controle de tronco não é um marco isolado, mas parte de um processo maior de desenvolvimento motor. Por isso, compreender o que está por trás dessa dificuldade ajuda a reduzir a culpa e direcionar melhor as decisões de cuidado, especialmente após o diagnóstico, momento que costuma gerar muitas incertezas, como abordado no conteúdo sobre o que fazer após o diagnóstico de paralisia cerebral.
Sustentar o tronco envolve muito mais do que força muscular. Na prática, depende da integração entre sistema nervoso, equilíbrio, coordenação e ajustes automáticos do corpo contra a gravidade.
Na paralisia cerebral, o cérebro envia comandos motores de forma diferente. Como consequência, a criança pode apresentar alterações de tônus, dificuldade de reagir a desequilíbrios e uso excessivo de compensações, como apoiar demais os braços ou inclinar a cabeça para se manter sentada.
Essas compensações não significam falta de esforço ou estímulo. Pelo contrário: são tentativas do corpo de se organizar da melhor forma possível dentro das limitações neurológicas. É por isso que intervenções precoces e bem direcionadas fazem tanta diferença.
Sim, e ele costuma envolver uma abordagem integrada e contínua.
A fisioterapia especializada em reabilitação neuromotora trabalha diretamente o controle postural, buscando ativar o tronco de forma funcional, respeitando o ritmo da criança. O foco não é apenas manter a postura, mas permitir que ela participe mais ativamente das atividades do dia a dia.
Em paralelo, a terapia ocupacional no desenvolvimento da autonomia conecta esse controle postural às tarefas reais, como brincar, alimentar-se e interagir. Dessa forma, o tronco deixa de ser apenas um objetivo motor e passa a ser um facilitador da participação.
Quando essas áreas atuam de forma coordenada, os ganhos tendem a ser mais consistentes e sustentáveis.
Uma avaliação adequada observa a criança em diferentes contextos: sentada no chão, na cadeira, durante a alimentação e nas brincadeiras. O olhar profissional vai além do “consegue ou não consegue” e analisa como o corpo responde aos desafios.
São observados aspectos como alinhamento da pelve, capacidade de recuperar o equilíbrio, qualidade da respiração e nível de fadiga. A partir disso, os objetivos são definidos de forma realista e funcional, sempre alinhados a uma metodologia de cuidado centrado na criança e na família.
Esse modelo evita metas genéricas e respeita a rotina da família, transformando o tratamento em algo possível de ser mantido ao longo do tempo.
Sim, e aqui é importante alinhar expectativas. Meu filho com paralisia cerebral não sustenta o tronco: tem tratamento, mas ele não se resume a listas fixas de exercícios.
Os exercícios mais eficazes são aqueles adaptados à resposta da criança, como:
treino de sentar com apoio gradual;
movimentos suaves de inclinação lateral;
atividades de alcance em superfícies estáveis;
posições no chão que ativam o tronco de forma integrada.
Mais do que quantidade, prioriza-se qualidade. Séries curtas, pausas frequentes e atenção à respiração ajudam a evitar fadiga e frustração. Por isso, a orientação profissional é essencial para garantir segurança e progressão adequada.
Muitas vezes, um grande avanço acontece quando o ambiente passa a ajudar o corpo da criança. Ajustes simples, como apoio adequado para os pés, estabilização da pelve e altura correta das superfícies, reduzem o esforço necessário para manter a postura.
Essas adaptações permitem que a criança use energia para brincar, aprender e se comunicar, e não apenas para não cair. Famílias que contam com acompanhamento em unidades com atuação multidisciplinar integrada costumam conseguir esses ajustes com mais precisão ao longo do crescimento.
Vale lembrar: suporte não é sinônimo de acomodação. É uma ferramenta para ampliar participação e qualidade de vida.
O desenvolvimento não é linear. Existem períodos de avanço rápido e outros mais lentos, influenciados por crescimento, saúde, sono e rotina.
No entanto, sinais como dor frequente, regressão funcional ou desconforto intenso ao sentar indicam a necessidade de reavaliação. Nesses casos, buscar orientação especializada e reorganizar o plano terapêutico é parte do cuidado, e não um sinal de fracasso.
Quando surgem dúvidas, contar com um espaço de escuta e orientação, como o canal de acolhimento e contato para avaliação especializada, ajuda a retomar o caminho com mais segurança.
Voltando à pergunta central: meu filho com paralisia cerebral não sustenta o tronco, tem tratamento?
Sim, tem. E ele envolve ciência, sensibilidade e constância. Com terapias adequadas, posicionamento correto, adaptações no ambiente e apoio à família, é possível promover mais conforto, participação e autonomia no dia a dia da criança.
Cada pequeno avanço importa. E cada passo respeitado constrói um caminho mais leve, para a criança e para quem caminha ao lado dela.
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