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06.JAN.26

Meu filho foi diagnosticado com autismo: o que faço agora?

Meu filho foi diagnosticado com autismo: o que faço agora?

Receber o diagnóstico de autismo do seu filho muda tudo ou, pelo menos, parece mudar. No primeiro momento, é comum sentir medo, insegurança, tristeza e até culpa. Ainda assim, é importante saber que meu filho foi diagnosticado com autismo, o que faço agora? É uma pergunta que milhares de famílias fazem todos os dias, e você não está sozinha nessa jornada.

Antes de qualquer decisão prática, respire fundo. O diagnóstico não define quem seu filho é, mas ajuda a entender como ele percebe o mundo e quais caminhos podem favorecer seu desenvolvimento. A boa notícia é que, hoje, existem informações confiáveis, terapias baseadas em evidências e uma rede de apoio cada vez mais estruturada.


Meu filho foi diagnosticado com autismo: entenda o diagnóstico com calma

Quando um médico confirma o Transtorno do Espectro Autista (TEA), é natural querer respostas imediatas. No entanto, compreender o diagnóstico leva tempo. O TEA é um espectro, o que significa que cada criança apresenta características, desafios e potencialidades únicas.

Por isso, evite comparações. Embora existam critérios clínicos, o desenvolvimento não segue um padrão único. Enquanto algumas crianças apresentam atraso na fala, outras se comunicam verbalmente, mas enfrentam dificuldades sociais ou sensoriais.

Além disso, busque fontes confiáveis. Converse com o neuropediatra ou psiquiatra infantil, peça indicações de leituras e evite conteúdos sensacionalistas. Informações equivocadas podem gerar ansiedade desnecessária e atrasar decisões importantes.

Para compreender melhor comportamentos comuns, vale a leitura sobre meltdown e shutdown no autismo, que ajudam a diferenciar crises emocionais de birras ou desobediência.


Meu filho foi diagnosticado com autismo: por onde começar na prática?

Depois do impacto inicial, surge a necessidade de agir. Nesse momento, organização é fundamental. Comece reunindo todos os documentos: laudos médicos, relatórios escolares e avaliações terapêuticas. Manter tudo em uma pasta física ou digital facilita muito o acesso aos direitos e aos atendimentos.

Em seguida, busque avaliação multidisciplinar. A intervenção precoce é um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento da criança com TEA. Quanto antes as terapias adequadas começarem, maiores são as chances de ganhos funcionais.

Além disso, não tenha pressa em “resolver tudo” de uma vez. O caminho é construído passo a passo, respeitando o ritmo da criança e da família.


A importância da equipe multidisciplinar no autismo

Uma das primeiras decisões práticas após o diagnóstico é montar uma equipe terapêutica qualificada. Em geral, ela pode incluir:

  • Psicólogo (preferencialmente com formação em ABA ou abordagem comportamental)

  • Terapeuta ocupacional

  • Fonoaudiólogo

  • Fisioterapeuta (quando indicado)

  • Psicopedagogo ou pedagogo especializado

Esses profissionais atuam de forma integrada, olhando não apenas para sintomas, mas para a funcionalidade da criança no dia a dia. Por exemplo, dificuldades sensoriais podem impactar alimentação, sono e aprendizagem, o que reforça a importância da terapia ocupacional no autismo.

Da mesma forma, desafios de comunicação exigem acompanhamento em fonoaudiologia, indo além da fala e considerando comunicação alternativa quando necessário.


Direitos da criança com autismo: o que a lei garante?

Muitos pais não sabem, mas a criança com autismo é considerada pessoa com deficiência por lei. A Lei Berenice Piana (Lei nº 12.764/2012) e a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) garantem direitos fundamentais nas áreas da saúde, educação e assistência social.

Entre os principais direitos estão:

  • Atendimento multiprofissional pelo SUS e pelos planos de saúde

  • Educação inclusiva, com adaptações e apoio necessário

  • Proibição de limite de sessões terapêuticas pelos planos

  • Prioridade em atendimentos e serviços públicos

Conhecer esses direitos empodera a família e evita que tratamentos essenciais sejam interrompidos. Caso enfrente dificuldades com convênios, é importante buscar orientação especializada.


Escola e autismo: como iniciar esse diálogo

Outro passo essencial é conversar com a escola. O diagnóstico não deve ser escondido, mas compartilhado de forma estratégica. Agende uma reunião, apresente os laudos e discuta a elaboração do Plano de Ensino Individualizado (PEI).

A escola tem papel fundamental no desenvolvimento social e acadêmico da criança. Quando família e instituição caminham juntas, os avanços tendem a ser mais consistentes.

Além disso, entender o papel do acompanhante terapêutico pode ser decisivo. O texto sobre o papel do AT escolar ajuda a esclarecer quando esse suporte é indicado.


Rede de apoio: você não precisa caminhar sozinha

Embora o foco seja o desenvolvimento do seu filho, é impossível ignorar o impacto emocional na família. Por isso, conectar-se com outras famílias faz toda a diferença. Grupos de pais, associações e instituições especializadas oferecem acolhimento, troca de experiências e informações práticas.

Além disso, cuide da sua saúde mental. Pais emocionalmente sobrecarregados têm mais dificuldade em sustentar rotinas terapêuticas e lidar com os desafios diários. Se necessário, busque apoio psicológico para você também.

Esse cuidado é tão importante que vale aprofundar na leitura sobre saúde mental de mães e pais de crianças atípicas.


Dicas práticas para o dia a dia após o diagnóstico

Além das terapias, o cotidiano é um grande espaço de desenvolvimento. Pequenas ações fazem diferença:

  • Brinque no chão, no nível da criança

  • Use músicas, histórias e jogos sensoriais

  • Estimule a autonomia nas atividades diárias

  • Evite excesso de telas, principalmente na primeira infância

  • Observe interesses e utilize-os como pontes de aprendizagem

Essas práticas fortalecem vínculos e ampliam as oportunidades de desenvolvimento fora do ambiente terapêutico.


Conclusão: meu filho foi diagnosticado com autismo, e agora sigo em frente

Receber o diagnóstico não é o fim de um sonho, mas o início de um novo caminho. Quando você se pergunta meu filho foi diagnosticado com autismo, o que faço agora?, a resposta começa com informação, acolhimento, intervenção adequada e, acima de tudo, esperança realista.

Cada conquista, por menor que pareça, merece ser celebrada. Com apoio, ciência e amor, é possível construir uma trajetória de desenvolvimento, autonomia e qualidade de vida para seu filho — e para toda a família.

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