Receber o diagnóstico de autismo do seu filho muda tudo ou, pelo menos, parece mudar. No primeiro momento, é comum sentir medo, insegurança, tristeza e até culpa. Ainda assim, é importante saber que meu filho foi diagnosticado com autismo, o que faço agora? É uma pergunta que milhares de famílias fazem todos os dias, e você não está sozinha nessa jornada.
Antes de qualquer decisão prática, respire fundo. O diagnóstico não define quem seu filho é, mas ajuda a entender como ele percebe o mundo e quais caminhos podem favorecer seu desenvolvimento. A boa notícia é que, hoje, existem informações confiáveis, terapias baseadas em evidências e uma rede de apoio cada vez mais estruturada.
Quando um médico confirma o Transtorno do Espectro Autista (TEA), é natural querer respostas imediatas. No entanto, compreender o diagnóstico leva tempo. O TEA é um espectro, o que significa que cada criança apresenta características, desafios e potencialidades únicas.
Por isso, evite comparações. Embora existam critérios clínicos, o desenvolvimento não segue um padrão único. Enquanto algumas crianças apresentam atraso na fala, outras se comunicam verbalmente, mas enfrentam dificuldades sociais ou sensoriais.
Além disso, busque fontes confiáveis. Converse com o neuropediatra ou psiquiatra infantil, peça indicações de leituras e evite conteúdos sensacionalistas. Informações equivocadas podem gerar ansiedade desnecessária e atrasar decisões importantes.
Para compreender melhor comportamentos comuns, vale a leitura sobre meltdown e shutdown no autismo, que ajudam a diferenciar crises emocionais de birras ou desobediência.
Depois do impacto inicial, surge a necessidade de agir. Nesse momento, organização é fundamental. Comece reunindo todos os documentos: laudos médicos, relatórios escolares e avaliações terapêuticas. Manter tudo em uma pasta física ou digital facilita muito o acesso aos direitos e aos atendimentos.
Em seguida, busque avaliação multidisciplinar. A intervenção precoce é um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento da criança com TEA. Quanto antes as terapias adequadas começarem, maiores são as chances de ganhos funcionais.
Além disso, não tenha pressa em “resolver tudo” de uma vez. O caminho é construído passo a passo, respeitando o ritmo da criança e da família.
Uma das primeiras decisões práticas após o diagnóstico é montar uma equipe terapêutica qualificada. Em geral, ela pode incluir:
Psicólogo (preferencialmente com formação em ABA ou abordagem comportamental)
Terapeuta ocupacional
Fonoaudiólogo
Fisioterapeuta (quando indicado)
Psicopedagogo ou pedagogo especializado
Esses profissionais atuam de forma integrada, olhando não apenas para sintomas, mas para a funcionalidade da criança no dia a dia. Por exemplo, dificuldades sensoriais podem impactar alimentação, sono e aprendizagem, o que reforça a importância da terapia ocupacional no autismo.
Da mesma forma, desafios de comunicação exigem acompanhamento em fonoaudiologia, indo além da fala e considerando comunicação alternativa quando necessário.
Muitos pais não sabem, mas a criança com autismo é considerada pessoa com deficiência por lei. A Lei Berenice Piana (Lei nº 12.764/2012) e a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) garantem direitos fundamentais nas áreas da saúde, educação e assistência social.
Entre os principais direitos estão:
Atendimento multiprofissional pelo SUS e pelos planos de saúde
Educação inclusiva, com adaptações e apoio necessário
Proibição de limite de sessões terapêuticas pelos planos
Prioridade em atendimentos e serviços públicos
Conhecer esses direitos empodera a família e evita que tratamentos essenciais sejam interrompidos. Caso enfrente dificuldades com convênios, é importante buscar orientação especializada.
Outro passo essencial é conversar com a escola. O diagnóstico não deve ser escondido, mas compartilhado de forma estratégica. Agende uma reunião, apresente os laudos e discuta a elaboração do Plano de Ensino Individualizado (PEI).
A escola tem papel fundamental no desenvolvimento social e acadêmico da criança. Quando família e instituição caminham juntas, os avanços tendem a ser mais consistentes.
Além disso, entender o papel do acompanhante terapêutico pode ser decisivo. O texto sobre o papel do AT escolar ajuda a esclarecer quando esse suporte é indicado.
Embora o foco seja o desenvolvimento do seu filho, é impossível ignorar o impacto emocional na família. Por isso, conectar-se com outras famílias faz toda a diferença. Grupos de pais, associações e instituições especializadas oferecem acolhimento, troca de experiências e informações práticas.
Além disso, cuide da sua saúde mental. Pais emocionalmente sobrecarregados têm mais dificuldade em sustentar rotinas terapêuticas e lidar com os desafios diários. Se necessário, busque apoio psicológico para você também.
Esse cuidado é tão importante que vale aprofundar na leitura sobre saúde mental de mães e pais de crianças atípicas.
Além das terapias, o cotidiano é um grande espaço de desenvolvimento. Pequenas ações fazem diferença:
Brinque no chão, no nível da criança
Use músicas, histórias e jogos sensoriais
Estimule a autonomia nas atividades diárias
Evite excesso de telas, principalmente na primeira infância
Observe interesses e utilize-os como pontes de aprendizagem
Essas práticas fortalecem vínculos e ampliam as oportunidades de desenvolvimento fora do ambiente terapêutico.
Receber o diagnóstico não é o fim de um sonho, mas o início de um novo caminho. Quando você se pergunta meu filho foi diagnosticado com autismo, o que faço agora?, a resposta começa com informação, acolhimento, intervenção adequada e, acima de tudo, esperança realista.
Cada conquista, por menor que pareça, merece ser celebrada. Com apoio, ciência e amor, é possível construir uma trajetória de desenvolvimento, autonomia e qualidade de vida para seu filho — e para toda a família.
O PRÓXIMO DEGRAU é um centro de excelência em terapias para Síndrome de Down, TDAH, paralisia cerebral, e especialmente TEA, com foco no desenvolvimento do seu filho.